quinta-feira, 26 de junho de 2008

CÉLULA TRONCO


O Reprodução Assistida, Células-Tronco e Clonagem Humana: Uma Reflexão Baseada em Kardec


Mauro Gomes

Embrião


Questionado recentemente a respeito da relação entre pesquisas com células-tronco e o Espiritismo, elaboramos algumas reflexões sobre o tema baseadas na obra de Kardec. A questão da posição espírita sobre pesquisas com células-tronco é uma das que merecem reflexão e não se encontra resposta definitiva. Mas é a dúvida que impulsiona o progresso. Quem não se angustia, não evolui.

Existem perguntas cujas respostas não são imediatas, e, quando ocorrem, elas são provisórias até que novos fatos e descobertas possam corrigi-las ou aperfeiçoá-las. Este é o mote da ciência e, se o Espiritismo deseja ser enquadrado dentro do campo científico, precisa conviver com tais dúvidas e estar disposto a se modificar frente a novos conceitos. Caso contrário permanecerá apenas importante dentro do campo religioso e abrirá portas para que outra doutrina ocupe seu lugar.

Sobre o Espiritismo ser favorável ou contra a pesquisa sobre células-tronco, esta é uma pergunta que nem haveria razão de existir. Quem se posiciona são as pessoas. O Espiritismo é uma filosofia e, como tal, reflete sobre as questões humanas. Pode-se questionar se o Espiritismo é ciência ou não (próprio Kardec teve dúvidas a respeito disso), mas é fato que ele surgiu através de uma pesquisa observacional realizada por Allan Kardec. Ora, um conhecimento que se originou a partir de um trabalho de campo jamais poderia questionar qualquer tipo de experimentação que se coloque dentro dos limites éticos.

Nosso mundo se desenvolveu muito desde a passagem de Kardec pela Terra e novos conhecimentos foram incorporados à nossa rotina. É preciso refletir com consciência a respeito de muitos deles, e caso se deseje um posicionamento pessoal baseado no conhecimento espírita, apoiar-se sabiamente nos textos básicos que definem o Espiritismo. Jamais poderíamos imaginar o espírita contrário a qualquer pesquisa científica, desde que respeitados os limites éticos de cada uma. Isso vale para a pesquisa com células-tronco embrionárias. Kardec, um pesquisador, é bem claro sobre o seu posicionamento a respeito da ciência na obra “A Gênese”. Afirma que, caso em algum momento a ciência venha a desmentir alguma afirmação feita por ele, quem deveria se modificar era o Espiritismo e não a ciência. Só assim a fé por ele proporcionada poderia encarar a razão face a face em qualquer época da humanidade. Caso contrário seria apenas mais uma religião dogmática.

Sobre a questão da existência ou não de um Espírito no momento da fecundação assistida, não há nada que prove ou desminta que no momento da fecundação, fora do útero materno, exista um Espírito encarnante. O que Kardec coloca é que, quando há um Espírito encarnante, este se liga ao corpo no momento da fecundação, através de uma expansão do seu perispírito. Mas não afirma que em toda fecundação exista um Espírito e nem que esta deva ocorrer exclusivamente dentro do útero. Ainda mais, diz-nos que em muitas ocasiões o feto se desenvolve apenas pelo seu lado biológico, sem Espírito encarnante, originando natimortos. A justificativa apontada para isso seria uma necessária provação para os pais.

Portanto, a fecundação fora do útero materno seria possível tanto para um feto com Espírito encarnante como para um destinado a não sobreviver.

Por outro lado, Kardec não afirma em nenhum momento que apenas no momento da fecundação o espírito pode se unir ao corpo. Ele afirma que no momento da fecundação isso ocorre, mas não somente neste. Este raciocínio deve ser aplicado caso a clonagem humana seja possível, o que não o é até o momento. Caso ela não seja realmente possível, uma explicação poderia ser extraída deste conceito: a impossibilidade de ligação do complexo perispírito-espírito com o corpo. Caso a clonagem seja possível, novos conhecimentos espíritas precisam ser incorporados à doutrina sobre um momento alternativo que o espírito possa se unir ao corpo, sendo isso uma verdade.

Também entendemos que o fato da fecundação se dar fora do útero não interferirá em nada no processo de encarnação, pois este ovo gerado será implantado no útero materno e se desenvolverá normalmente. Kardec afirma que o processo de encarnação só se completa no momento do nascimento. Ainda mais, com o aperfeiçoamento das técnicas reprodutivas, espera-se que o processo de gerar novas vidas seja mais aperfeiçoado e menos sujeito a erros, como os que ocorrem de maneira natural. O progresso deve trazer o benefício de gerar novas vidas com menos dor, menos sofrimento, menos angústia e menos erros.

Alguns ainda imaginam o absurdo de espíritos ficarem “congelados” com os embriões destinados à reprodução. Ora! Kardec já informava que a ligação do complexo perispírito-espírito com o corpo se completa por ocasião do nascimento. Baseado neste conceito, se o embrião não se desenvolver e, portanto, não oferecer condições de vida, não poderia haver a permanência do complexo perispírito-espírito no corpo físico.

As questões sobre reprodução assistida, células-tronco e clonagem humana são intrigantes e levam ao debate. Não há respostas definitivas para nenhuma delas, mas entendemos ser as apresentadas bastante plausíveis dentro da lógica de Kardec.

domingo, 22 de junho de 2008

A EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO


Bases da doutrina espírita


Esse texto visa esclarecer certos pontos essenciais, que são verdadeiros alicerces da doutrina espírita. Pontos cujo entendimento é primordial a todo aquele que deseja conhecer o Espiritismo. Vejamos quais são:
1) Deus existe, e Ele é a causa primária de todas as coisas;2) a existência do espírito e sua sobrevivência após a morte;3) a reencarnação;4) a lei de causa e efeito;5) a comunicação entre o mundo material e o mundo espiritual;6) a evolução progressiva dos espíritos;7) a prática da caridade.

1) Deus existe, e Ele é a causa primária de todas as coisas
Esse é o início, o sustentáculo primordial, a origem de tudo. Há um texto no site entitulado
“Deus existe? Que prova temos?”, que esclarece essa primeira base da doutrina. Após sua leitura, para saber mais, há também os textos “Quem é Deus?” e ainda "Providência e onisciência divinas: coisas fantasiosas demais para o homem moderno?", que poderão ser úteis para se ter o entendimento do que Deus representa para o Espiritismo.

2) A existência do espírito e sua sobrevivência após a morte
“A existência do princípio espiritual é um fato que não tem, por assim dizer, mais necessidade de demonstração que o princípio material; é de alguma sorte uma verdade axiomática: afirma-se por seus efeitos, como a matéria por aqueles que lhe são próprios.Segundo o princípio: ‘todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente', não há ninguém que não faça a diferença entre o movimento mecânico de um sino agitado pelo vento, e o movimento desse mesmo sino destinado a dar um sinal, uma advertência, atestando, por isso mesmo, um pensamento, uma intenção. Ora, como a ninguém pode vir a idéia de atribuir o pensamento à matéria do sino, disso se conclui que está movido por uma inteligência à qual serve de instrumento para se manifestar.Pela mesma razão, ninguém tem a idéia de atribuir o pensamento ao corpo de um homem morto. Se o homem vivo pensa, é, pois, que há nele alguma coisa que não há mais quando está morto. A diferença que existe entre ele e o sino, é que a inteligência que faz mover este está fora dele, ao passo que a que faz o homem agir está nele mesmo.
O princípio espiritual é o corolário da existência de Deus; sem esse princípio, Deus não teria razão de ser, porque não se poderia mais conceber a soberana inteligência reinando, durante a eternidade, somente sobre a matéria bruta, que um monarca terrestre não reinando, durante toda a sua vida, senão sobre pedras.Por outro lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom, criando seres inteligentes e sensíveis, para destiná-los ao nada, depois de alguns dias de sofrimentos sem compensações; (...) pensam um instante para não conhecerem senão a dor, e se extinguem para sempre depois de uma existência efêmera. Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo. Eis porque o materialismo e o ateísmo são os corolários um do outro; negando a causa, não podem admitir o efeito; negando o efeito, não podem admitir a causa” – trechos de A Gênese.
3) A reencarnação
Há três textos no site que explicam os pontos principais envolvendo a questão da reencarnação:
“Reencarnação? Por quê?”, “Por quê não nos lembramos de outras vidas?” e “A reencarnação não está na Bíblia! Como pode ela existir?”.
4) A lei de causa e efeito
Existe um pensamento, já citado no segundo item desse texto, passado ao estado de axioma, por força de verdade, que expressa essa idéia: todo efeito tem uma causa. Falando de forma popular: onde há fumaça, há fogo. Disso ninguém duvida. Se vemos um pássaro cair do céu, atingido por uma bala, deduzimos automaticamente a causa do fato: um homem praticando caça nas imediações. Esse axioma da causa e efeito - ou ação e reação - vale tanto para o princípio material quanto para o espiritual. Nossas ações, sem exceção, sempre trazem algum efeito, alguma reação. A conseqüência de um ato será tanto boa quanto o mesmo for bom e tanto desagradável quanto o mesmo for mal. O que fazemos aqui será refletido futuramente de algum modo, seja enquanto encarnado, seja ao regressar ao mundo espiritual. Toda infelicidade nasce das imperfeições humanas, assim como a felicidade perfeita tem sua causa na perfeição das qualidades que o ser humano pode atingir. As más ações que cometemos têm, desse modo, sua origem em imperfeições que possuímos, as quais despertam nossos desejos e paixões mundanas, levando a excessos e desvarios de todas as naturezas que, por sua vez, darão lugar em algum ponto futuro à diferentes formas de infelicidade e sofrimento, proporcionais aos atos que os causaram. De forma recíproca, as boas ações, oriundas de nossas qualidades, nos trarão gozos e venturas tanto maiores quanto mais abnegados forem tais atos. Não preocupando-se em colher tais resultados na vida terrena, eles serão sentidos, por força da lei de Deus, no regresso ao plano espiritual. Longe, no entanto, deve ficar a idéia que isso tudo se procede apenas no sentido boa ação-recompensa e má ação-castigo. Os bons atos influenciam positivamente o espírito. Eles provém uma consciência tranqüila, sem culpas ou remorsos, o que por si só já traz um certo nível de felicidade. Analogamente, os maus atos trazem consigo a culpa, o remorso e toda a angústia que esse sofrimento moral proporciona. Não havendo nenhum arrependimento por parte de quem o pratica, condição para que surja o sentimento de culpa, Deus haverá de proporcionar a devida condição de reparo do erro e expiação do mesmo. Frente a isso, certamente a consciência se atormentará. De qualquer forma, as conseqüências de diversos atos, em um certo nível, são automáticas, refletindo-se na alma de quem a pratica, causando perturbação ou ventura.
Nada há o que façamos que não traga conseqüências. Deus a tudo vê, tendo a medida exata do que fizemos enquanto encarnados. Por isso, não nos enganemos, os efeitos serão sentidos, seja na carne, seja apenas no espírito. Cuidemos para que tais efeitos devam ser venturosos, construindo as suas causas aqui mesmo na Terra.
5) A comunicação entre o mundo material e espiritual
A existência da comunicação entre os encarnados e os desencarnados, por diversos meios, é um fato. Através dessa possibilidade a doutrina espírita hauriu o seu corpo. Nesse ponto, há os que se convencem pelos fatos, os que se convencem por certas comunicações particulares recebidas, aqueles que se convencem pela lógica e os que de modo algum crêem nessa possibilidade, argumentando que tal idéia não pode ser nada além do charlatanismo ou da loucura.Para os que são cristãos – e mesmo judeus - fica impossível a negação da possibilidade de comunicação entre o plano carnal e o espiritual, uma vez que casos assim são relatados na Bíblia, tanto no antigo como no novo testamento. Além disso, relatos dessa natureza se fazem presentes em inúmeras – para não dizer (quase) todas – religiões, em todas as épocas e em todos os lugares. Isso ocorre porque a relação entre os dois planos faz parte da lei natural das coisas, parte das leis que regem o universo, enfim, da lei de Deus. Não há nisso nada de anormal, sobrenatural ou fantástico. Há sim, tudo de normal e natural. O texto
“Preconceitos contra a comunicação com os espíritos” refuta os principais argumentos vindos daqueles que não acreditam na existência dessa relação entre o plano carnal e o espiritual. Leia ainda “Existe a proibição do contato com os espíritos na Bíblia?” para saber o que realmente ela coloca quanto a isso. Querendo saber mais sobre a questão da mediunidade tratar-se de charlatanismo, leia o texto “Mediunidade profissional e charlatanismo”, que esclarece de forma breve os mecanismos dessa faculdade inerente ao ser humano.

6) A evolução progressiva dos espíritos
Outra lei universal. Ensinada pelos espíritos, poderíamos já deduzi-la da idéia feita de Deus: Ser com bondade e justiça infinitas.De acordo com esse princípio, todos os seres têm um mesmo ponto de partida. Todos são criados simples e ignorantes, com uma igual aptidão para se desenvolverem e aperfeiçoarem-se. No final desse processo, é atingido por todos o grau de perfeição compatível com a criatura, ressaltando-se sempre a importância dos esforços pessoais que a mesma despenderá - lançando mão do seu livre-arbítrio -, o que poderá alongar ou abreviar em várias formas o seu caminhar nessa escala de evolução. Todos, sendo filhos de um mesmo Pai, são objeto de igual solicitude, não havendo, de forma alguma, aquele que seja mais favorecido ou melhor que outros, e dispensado do trabalho que seria imposto a outrem para alcançar o objetivo. Não havendo alguém cuja marcha ascensional seja facilitada por exceção, todos que cumpriram o caminho passaram pelas fieiras das provas e da inferioridade.
O progresso é a condição normal dos seres espirituais, e a perfeição relativa o objetivo que devem alcançar, podendo sempre, para isso, contarem com a ajuda de Deus, Supremo Comandante que delega aos espíritos mais aperfeiçoados o dever de contribuir para o adiantamento daqueles que se encontram ainda em sua infância espiritual. Torna-se importante entender, nesse caso, o termo “perfeição relativa”, pois o ponto máximo desse progresso do espírito não é a perfeição absoluta e infinita, sendo que desse modo o mesmo seria Deus. Supondo que, valendo-se da nanotecnologia, uma máquina construa uma esfera perfeita, com diâmetros nanometricamente iguais em todos os sentidos, sobre todos os pontos da mesma. Diríamos então que se trataria de uma esfera perfeita, mas nem por isso ela poderia falar, pensar ou construir coisas. Ela seria uma ESFERA perfeita, não um ser humano. Assim é como deve ser entendido esse grau de perfeição, objetivo de todos os espíritos criados por Deus.
Considerando-se ainda Deus tendo criado desde a eternidade, e criando sem cessar, também de toda a eternidade terá havido os que atingiram o ponto máximo da escala, assim como há os que se encontram no início da mesma.

Texto baseado em excertos de A Gênese.

7) A prática da caridade
A prática da caridade é atitude fundamental a ser tomada por todo aquele que se diz espírita. A lei de Deus é a lei do amor, e deste nasce a caridade, a fraternidade e a solidariedade entre as pessoas. Aqui se encontra todo o aspecto moral do Espiritismo, que nada mais é que a moral ensinada pelo Cristo há cerca de 2000 anos atrás.
O homem possui:
O corpo físico, a alma e o perispírito. Os espíritos pertencem a diferentes classes, embora tenham sido criados simples e ignorantes. Os espíritos evoluem, não ocupam perpétuamente a mesma categoria. Deixando o corpo, a alma volta ao mundo dos espíritos, para passar depois por nova existência material, após um lapso variável de tempo. Os espíritos não reencarnam em corpos de animais, não retrogradam. As diferentes existências corpóreas do espírito são sempre progressivas. Os espíritos encarnados habitam os diferentes globos do universo. Os espíritos exercem incessantemente acção sobre o mundo moral, e mesmo sobre o mundo físico. 2. O CARÁCTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA Revelação - do latim revelare, tirar de sob o véu, isto é, dar a conhecer. A característica essencial da revelação é ser verdadeira. Do ponto de vista religioso é a revelação de coisas que o homem não pode atingir pela inteligência, nem com o auxílio dos sentidos. A importante revelação da época actual é a comunicação com os seres do mundo espiritual. O espiritismo deu-nos a conhecer o mundo invisível, que nos cercava, do qual nem suspeitávamos. A revelação espírita tem duplo carácter: é divina e é científica. É divina porque é da iniciativa dos espíritos, e é científica porque a sua elaboração é fruto do trabalho metodológico do homem. O objecto especial do espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual. Todo um mundo novo se revela por ter o espiritismo demonstrado a comunicação com os seres do mundo espiritual pois profunda modificação nos costumes, carácter, hábitos, assim como na crença se estabelecerá. O espiritismo é considerado a terceira das grandes revelações. A primeira foi Moisés, com o Deus único. A segunda foi o Cristo, com a lei do amor, a revelação da vida futura e das penas e recompensas que aguardam o homem depois da morte. O espiritismo, partindo das duas outras, revela a existência do mundo espiritual; define os laços que unem a alma ao corpo; levanta, aos homens, o véu que ocultava os mistérios do nascimento e da morte.

domingo, 15 de junho de 2008

PERISPÍRITO

CONCEITO-NATUREZA



Perispírito (do gr. peri, em torno, e do lat. spiritus, alma, espírito) é o envoltório sutil e perene da alma, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico.A palavra foi empregada pela primeira vez por KARDEC, no item 93 de "O Livro dos Espíritos".1 Mais tarde, os Espíritos Instrutores, endossando a designação, passaram a empregá-la regularmente. Tal denominação baseia-se na forma com que se apresenta esse complexo fluídico, envolvendo a alma.Outras denominações conhecidas referem-se mais à sua natureza ou funções. Assim, ANDRÉ LUIZ, por Francisco Cândido XAVIER, chama-o de psicossoma e, também, corpo espiritual - lembrando, aliás, a designação e PAULO, em sua primeira epístola aos Coríntios (15:44). Hoje, os autores dão aos três termos - perispírito, corpo espiritual e psicossoma - o mesmo sentido.Alma e perispírito constituem um todo indissolúvel. Conforme esclarece KARDEC, alma e perispírito "constituem o ser chamado Espírito.""A alma é pois, um ser simples; o Espírito um ser duplo e o homem um ser triplo."Há, assim, diferenças de significado, embora seja comum o emprego das duas palavras - alma e Espírito - como sinônimas. Por isso, anota KARDEC: "Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra (...); filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença." ("O que é o Espiritismo". 37a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 155: Cap.II).E Léon DENIS observa: "Chamamos Espírito à alma revestida do seu corpo fluídico. A alma é o centro de vida do perispírito, como este é o centro de vida do organismo físico. Ela que sente, pensa e quer; o corpo físico constitui, com o corpo fluídico, o duplo organismo por cujo intermédio ela atua no mundo da matéria". ("Cristianismo e Espiritismo". 10a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, p. 219. Trad. Leopoldo Cirne).Em outro local, especifica:"o homem (...) é um ser complexo. Nele se combinam três elementos para formar uma unidade vida, a saber:O corpo, envoltório material temporário, que abandonamos na morte, como vestuário usado;O perispírito, invólucro fluídico permanente, invisível aos nosso sentidos naturais, que acompanha a alma em sua evolução infinita, e com ela se melhora e purifica;A alma, princípio inteligente, centro da força, foco da consciência e da personalidade.A alma, desprendida do corpo material e revestida do seu invólucro sutil, constitui o Espírito, ser fluídico, de forma humana, liberto das necessidades terrestres, invisível e impalpável em seu estado normal." (DENIS, Leon. "Depois da Morte". 18a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1994, pp. 199 e 200: Cap. XXIX. Trad. João Lourenço de Souza).Embora os estudos sobre o perispírito tenham sido sistematizados só a partir de KARDEC,2 tem sido ele percebido desde épocas imemoriais, recebendo as mais diversas denominações no curso do tempo: mano-maya-kosha (na Índia védica) ; baodhas (no Zend-Avesta, dos persas) ; Kha ou Bai (entre os sacerdotes egípcios) ; rouach (na Cabala) ; kama-rupa (Budismo) ; eidolon, okhema, ferouer (entre os gregos) ; Khi (na tradição chinesa) ; corpo astral (entre os hermetistas, alquimistas, esoteristas, teosofistas) ; corpo sidéreo (Paracelso); aerossoma (neognósticos) ; corpo fluídico (Leibniz) ; somod (Baraduc) ; mediador plástico (Cudworth), metassoma (Bret), modelo organizador biológico - MOB (Hernani G. Andrade), etc.Modernamente, o perispírito tem atraído o interesse de renomados investigadores, que, inclusive, vêem nele um dos mais importantes fatores do processo vital.NATUREZANa lição de ANDRÉ LUIZ, transmitida por Francisco Cândido XAVIER, o perispírito apresenta-se como uma "formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica, e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta." (XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. ANDRÉ LUIZ, Espírito. " Evolução em Dois Mundos". 13a. Ed., Rio de Janeiro: FAB, 1993, p. 26: Cap. II). É lícito conceber-se que o perispírito - ao menos, para os Espíritos ligados à crosta terrestre - possa ser o resultado da aglutinação da energia cósmica matriz ("fluído cósmico"),3 adequada à natureza de nosso planeta, sobre um campo originado da própria extensão energética da alma (força espiritual),4 comportando-se, depois dessa agregação, como uma estrutura de categoria eletromagnética (de ordem física, pois) e formando o envoltório conhecido como o "corpo da alma", necessário, insubstituível e perene, já de textura definida como material - embora tão sutil, que os Espíritos da Codificação usaram o termo semimaterial para qualificá-la. ("O Livro dos Espíritos", item 135).5É que, naturalmente, os Espíritos encontraram, ao tempo de KARDEC - como hoje ainda aconteceria - dificuldade em expressar seu pensamento, por falta de termos apropriados. Mas sabe-se, agora, que a matéria é, afinal, uma forma - ou, se se quiser, um estado ou fase - da energia; "luz coagulada", na magnífica expressão atualmente em voga,6 resultante, principalmente, da constatação de que, no nível quântico das partículas subatômicas, a matéria, a rigor, é constituída por campos de energia que se especializa de acordo com os fatores determinantes.Ora, tal como a luz, a matéria vibra. Quanto maior a freqüência da vibração, menos densa ou sutil será.Tem-se, então, que o perispírito, designado pelos Espíritos como o constituído de matéria sutil (semimatéria, ou seja, de intensidade menor que a do corpo), assim se apresenta porque, necessariamente, vibra numa freqüência mais elevada que a do corpo físico.
*Em sua evolução, o princípio psíquico, sustentando, nos seres vivos, formas e funções cada vez mais complexas, ao mesmo tempo que expande as possibilidades que lhe são imanentes, define, pois, como seu envoltório, um campo aglutinador de matéria sutil, que serve à moldagem e sustentação das estruturas biológicas.7 Essa formação - bem conhecida, aliás, pela tradição iniciática - , muito rudimentar nos começos evolutivos, desenvolve-se com o princípio psíquico, que reflete e expressa, alcançando na dimensão hominal padrões de excelsitude funcional que só recentemente começam a ser percebidos."Corpo fluídico da alma", o conhecimento de sua natureza, aguarda ainda, investigação maior, sabendo-se, todavia, que, como assinala o Codificador, "a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda." ("A Gênese". 36a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 279). Sua natureza varia, não só de acordo com a evolução moral da alma, como, também, com as condições da região ou do planeta em que estagia. Explica KARDEC, a propósito, que o perispírito "é mais ou menos etéreo, segundo os mundos e o grau de depuração do Espírito. Nos mundos e nos Espíritos inferiores, ele é de natureza mais grosseira e se aproxima muito da matéria bruta." ("Obras Póstumas". 26a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1993, p. 45). Ao revés, nos mundos superiores, esclarecem os Espíritos que "esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Tal é o estado dos Espíritos puros." ("O Livro dos Espíritos", Ed. FEB, cit., it. 186).Quanto aos Espíritos que estagiam na escola Terra, o corpo perispiritual - a significar agregação de matéria quintessenciada, sustentada pelas linhas de força que emanam da alma - apresenta-se formado, segundo EMMANUEL, "por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrana", mostrando-se como "aparelhagem de matéria rarefeita" e "alterando-se de acordo com o padrão vibratório do campo interno". Por isso, nas almas superiores, essa substância que as envolve pode apresentar admiráveis características de tenuidade e luminosidade, enquanto que, nas mentes primitivas, como salienta o Autor citado, "semelhante vestidura se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço." (XAVIER, Francisco Cândido. EMMANUEL, Espírito. "Roteiro". 9a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1994, pp. 31 e 32).

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

OVERDADEIRO SENTIDO DO UMBRAL



Umbral

Domério de Oliveira

“O Espírito não retrograda, mas a forma perispiritual se degrada” (André Luiz)
A palavra umbral prende-se ao étimo latino “umbra” - que significa “sombra” ou “tudo o que faz sombra”.
Nosso Amigo André Luiz, no seu livro “Nosso Lar”, com a clareza que lhe é peculiar, transimite-nos as suas impressões sobre estas zonas inferiores da espiritualidade. Sim, meus amigos, André Luiz, apesar de toda sua cultura, apesar de ter sido um Médico conceituadíssimo, infelizmente, por razões que ignoramos, não deixou de sofrer algum tempo naquelas regiões sombrias. Assim, vislumbramos que não importa a nossa cultura, que não importam os nossos belos discursos, pois, se tivermos caminhado “tortuosamente” não estaremos livres das temíveis sombras do umbral. Para conseguirmos um plano melhor, ao desencarnarmos, importam, sim, os nossos atos de bondade, a nossa consciência tranqüila do dever cumprido, bem como, o nosso respeito para com o nosso corpo somático.
Meus amigos, a barra umbralina que André Luiz enfrentou foi pesadíssima. Ele, assim, o confessa:


“Estava convicto de não mais pertencer ao número dos encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a longos haustos”.
“Sentia-me, na verdade, amargurado duende nas grades escuras do horror. Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo terrível senhoreando-me”.
“Formas diabólicas, rostos alvares, expressões animalescas surgiam, de quando em quando, agravando-me o assombro. A paisagem, quando não totalmente escura, parecia banhada de luz alvacente”.
Nestes pequenos excertos que extraímos do capítulo I do livro “Nosso Lar”, 7.ª ed. - FEB - podemos deduzir o seguinte: que o Perispírito se degrada mesmo, tomando forma compatível com as esferas em que se encontra. Deduzimos, outrossim, que o Perispírito é um “corpo psico-somático” ou semimaterial, conservando a estrutura de sua última romagem física. Que o Perispírito dispõe de órgãos vitais. André Luiz fala-nos, claramente, dos seus pulmões e do seu coração entranhados no seu corpo espiritual.
Neste seu livro magnífico - “Nosso Lar” -, cuja leitura aconselhamos aos amigos leitores, André Luiz, também, nos esclarece:
“de quando em quando, deparavam-se-me verduras que me pareciam agrestes, em torno de humildes filetes d’água a que me atirava sequioso. Devorava as folhas desconhecidas, colava os lábios à nascente turva, enquanto me permitiam as forças irresistíveis a impelirem-me para a frente. Muita vez, suguei a lama da estrada”.
“não raro, era imprescindível ocultar-me das enormes manadas de seres animalescos, que passavam em bando, quais feras insaciáveis. Eram quadros de estarrecer”.
Pelo que acabamos de transcrever, tomamos ciência de que nossos amigos desencarnados, não distanciados do estágio da vida anterior, ainda, sentem - “fome” e sentem “sede”. Sim, meus amigos, os Espíritos se alimentam. Vale, neste ângulo, a velha assertiva filosófica: “NATURA NON FACIT SALTUM”.
Meus amigos, André Luiz sofreu muito naquelas zonas inferiores da espiritualidade. Cansado de tanto sofrer, com absoluta humildade, de joelhos, implorou a Misericórdia Divina. Ele, assim, nos relata:
“é preciso haver sofrido muito, para entender as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir da esperança”.
Foi nesse momento, de sublime súplica ao Criador, que André Luiz recebeu assistência do seu Benfeitor Espiritual Clarêncio. Sim, Clarêncio e mais dois companheiros colocaram André Luiz sobre um alvo lençol e o conduziram para a Cidade Espiritual “Nosso Lar”. André Luiz foi internado em um hospital onde recebeu todos os tratamentos necessários. Nesta Colônia Espiritual - “Nosso Lar” - André Luiz restabeleceu-se e lapidou-se moralmente. Lá conseguiu evoluir e adquiriu a sua Renovação Íntima. Integrou-se em “Nosso Lar” e passou a trabalhar no campo de sua especialidade. Tornou-se, pelos seus esforços, um Espírito Iluminado. Pela Mediunidade Legítima do nosso Chico Xavier, André Luiz vem nos mandando as suas belas mensagens. Sim, meus amigos, os Livros de André Luiz, por certo, abrem-nos os mais amplos horizontes, mostrando-nos as paisagens e as edificações que se erguem no mundo maior da quarta dimensão.
Hoje, no campo da nossa doutrina, todos os irmãos que tenham estudado a fenomenologia mediúnica, jamais, poderão duvidar deste expressivo depoimento prestado, com tanta honestidade de propósitos, pelo nosso querido André Luiz. Sim, meus amigos, o umbral que Ele descreve e pelo qual passou, por certo, existe mesmo. Esse depoimento de André Luiz toca o íntimo das nossas Almas. Assim sendo, Ele prestou esse depoimento para nos ajudar, para nos alertar. Ao desencarnarmos, se não quisermos enfrentar as trevas umbralinas, temos que nos preparar. Temos que cuidar desde logo, da nossa REFORMA ÍNTIMA. Temos que tomar como bússola os pontos cardeais do Evangelho. Não devemos de nos esquecer da recomendação que nos faz André Luiz.