domingo, 15 de junho de 2008

PERISPÍRITO

CONCEITO-NATUREZA



Perispírito (do gr. peri, em torno, e do lat. spiritus, alma, espírito) é o envoltório sutil e perene da alma, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico.A palavra foi empregada pela primeira vez por KARDEC, no item 93 de "O Livro dos Espíritos".1 Mais tarde, os Espíritos Instrutores, endossando a designação, passaram a empregá-la regularmente. Tal denominação baseia-se na forma com que se apresenta esse complexo fluídico, envolvendo a alma.Outras denominações conhecidas referem-se mais à sua natureza ou funções. Assim, ANDRÉ LUIZ, por Francisco Cândido XAVIER, chama-o de psicossoma e, também, corpo espiritual - lembrando, aliás, a designação e PAULO, em sua primeira epístola aos Coríntios (15:44). Hoje, os autores dão aos três termos - perispírito, corpo espiritual e psicossoma - o mesmo sentido.Alma e perispírito constituem um todo indissolúvel. Conforme esclarece KARDEC, alma e perispírito "constituem o ser chamado Espírito.""A alma é pois, um ser simples; o Espírito um ser duplo e o homem um ser triplo."Há, assim, diferenças de significado, embora seja comum o emprego das duas palavras - alma e Espírito - como sinônimas. Por isso, anota KARDEC: "Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra (...); filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença." ("O que é o Espiritismo". 37a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 155: Cap.II).E Léon DENIS observa: "Chamamos Espírito à alma revestida do seu corpo fluídico. A alma é o centro de vida do perispírito, como este é o centro de vida do organismo físico. Ela que sente, pensa e quer; o corpo físico constitui, com o corpo fluídico, o duplo organismo por cujo intermédio ela atua no mundo da matéria". ("Cristianismo e Espiritismo". 10a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, p. 219. Trad. Leopoldo Cirne).Em outro local, especifica:"o homem (...) é um ser complexo. Nele se combinam três elementos para formar uma unidade vida, a saber:O corpo, envoltório material temporário, que abandonamos na morte, como vestuário usado;O perispírito, invólucro fluídico permanente, invisível aos nosso sentidos naturais, que acompanha a alma em sua evolução infinita, e com ela se melhora e purifica;A alma, princípio inteligente, centro da força, foco da consciência e da personalidade.A alma, desprendida do corpo material e revestida do seu invólucro sutil, constitui o Espírito, ser fluídico, de forma humana, liberto das necessidades terrestres, invisível e impalpável em seu estado normal." (DENIS, Leon. "Depois da Morte". 18a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1994, pp. 199 e 200: Cap. XXIX. Trad. João Lourenço de Souza).Embora os estudos sobre o perispírito tenham sido sistematizados só a partir de KARDEC,2 tem sido ele percebido desde épocas imemoriais, recebendo as mais diversas denominações no curso do tempo: mano-maya-kosha (na Índia védica) ; baodhas (no Zend-Avesta, dos persas) ; Kha ou Bai (entre os sacerdotes egípcios) ; rouach (na Cabala) ; kama-rupa (Budismo) ; eidolon, okhema, ferouer (entre os gregos) ; Khi (na tradição chinesa) ; corpo astral (entre os hermetistas, alquimistas, esoteristas, teosofistas) ; corpo sidéreo (Paracelso); aerossoma (neognósticos) ; corpo fluídico (Leibniz) ; somod (Baraduc) ; mediador plástico (Cudworth), metassoma (Bret), modelo organizador biológico - MOB (Hernani G. Andrade), etc.Modernamente, o perispírito tem atraído o interesse de renomados investigadores, que, inclusive, vêem nele um dos mais importantes fatores do processo vital.NATUREZANa lição de ANDRÉ LUIZ, transmitida por Francisco Cândido XAVIER, o perispírito apresenta-se como uma "formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica, e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta." (XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. ANDRÉ LUIZ, Espírito. " Evolução em Dois Mundos". 13a. Ed., Rio de Janeiro: FAB, 1993, p. 26: Cap. II). É lícito conceber-se que o perispírito - ao menos, para os Espíritos ligados à crosta terrestre - possa ser o resultado da aglutinação da energia cósmica matriz ("fluído cósmico"),3 adequada à natureza de nosso planeta, sobre um campo originado da própria extensão energética da alma (força espiritual),4 comportando-se, depois dessa agregação, como uma estrutura de categoria eletromagnética (de ordem física, pois) e formando o envoltório conhecido como o "corpo da alma", necessário, insubstituível e perene, já de textura definida como material - embora tão sutil, que os Espíritos da Codificação usaram o termo semimaterial para qualificá-la. ("O Livro dos Espíritos", item 135).5É que, naturalmente, os Espíritos encontraram, ao tempo de KARDEC - como hoje ainda aconteceria - dificuldade em expressar seu pensamento, por falta de termos apropriados. Mas sabe-se, agora, que a matéria é, afinal, uma forma - ou, se se quiser, um estado ou fase - da energia; "luz coagulada", na magnífica expressão atualmente em voga,6 resultante, principalmente, da constatação de que, no nível quântico das partículas subatômicas, a matéria, a rigor, é constituída por campos de energia que se especializa de acordo com os fatores determinantes.Ora, tal como a luz, a matéria vibra. Quanto maior a freqüência da vibração, menos densa ou sutil será.Tem-se, então, que o perispírito, designado pelos Espíritos como o constituído de matéria sutil (semimatéria, ou seja, de intensidade menor que a do corpo), assim se apresenta porque, necessariamente, vibra numa freqüência mais elevada que a do corpo físico.
*Em sua evolução, o princípio psíquico, sustentando, nos seres vivos, formas e funções cada vez mais complexas, ao mesmo tempo que expande as possibilidades que lhe são imanentes, define, pois, como seu envoltório, um campo aglutinador de matéria sutil, que serve à moldagem e sustentação das estruturas biológicas.7 Essa formação - bem conhecida, aliás, pela tradição iniciática - , muito rudimentar nos começos evolutivos, desenvolve-se com o princípio psíquico, que reflete e expressa, alcançando na dimensão hominal padrões de excelsitude funcional que só recentemente começam a ser percebidos."Corpo fluídico da alma", o conhecimento de sua natureza, aguarda ainda, investigação maior, sabendo-se, todavia, que, como assinala o Codificador, "a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda." ("A Gênese". 36a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 279). Sua natureza varia, não só de acordo com a evolução moral da alma, como, também, com as condições da região ou do planeta em que estagia. Explica KARDEC, a propósito, que o perispírito "é mais ou menos etéreo, segundo os mundos e o grau de depuração do Espírito. Nos mundos e nos Espíritos inferiores, ele é de natureza mais grosseira e se aproxima muito da matéria bruta." ("Obras Póstumas". 26a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1993, p. 45). Ao revés, nos mundos superiores, esclarecem os Espíritos que "esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Tal é o estado dos Espíritos puros." ("O Livro dos Espíritos", Ed. FEB, cit., it. 186).Quanto aos Espíritos que estagiam na escola Terra, o corpo perispiritual - a significar agregação de matéria quintessenciada, sustentada pelas linhas de força que emanam da alma - apresenta-se formado, segundo EMMANUEL, "por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrana", mostrando-se como "aparelhagem de matéria rarefeita" e "alterando-se de acordo com o padrão vibratório do campo interno". Por isso, nas almas superiores, essa substância que as envolve pode apresentar admiráveis características de tenuidade e luminosidade, enquanto que, nas mentes primitivas, como salienta o Autor citado, "semelhante vestidura se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço." (XAVIER, Francisco Cândido. EMMANUEL, Espírito. "Roteiro". 9a. Ed., Rio de Janeiro: FEB, 1994, pp. 31 e 32).

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